Giuseppe Bruno, preso na Operação Arancia, é investigado por envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada à máfia siciliana; Justiça italiana quer julgamento e possível extradição
Um italiano com ligações investigadas com a máfia siciliana vive em um dos pontos turísticos mais conhecidos de Natal: a Praia de Ponta Negra. O homem é Giuseppe Bruno, de 52 anos, que atualmente cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica em um flat com vista para o mar, em uma das áreas mais valorizadas da capital potiguar.
Giuseppe foi preso durante a Operação Arancia, que investigou o envolvimento dele e de outras pessoas em crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, em um esquema que teria movimentado recursos ligados à máfia italiana no Rio Grande do Norte e em outros estados do Nordeste.
Flat em área nobre e aluguel acima de R$ 3 mil
De acordo com informações levantadas na investigação, Giuseppe mora em um flat localizado em Ponta Negra, bairro conhecido pelo alto padrão imobiliário e por ser uma das regiões mais caras de Natal. O apartamento, segundo apuração, fica em um condomínio onde o aluguel custa a partir de R$ 3 mil por mês, e o imóvel tem vista direta para o mar.
O italiano deixou em 2025 o Pavilhão 2 da Penitenciária de Ceará-Mirim e passou a cumprir a medida judicial em regime domiciliar na zona Sul de Natal.
Investimentos milionários no RN e a rota estratégica para a Europa
As investigações apontam que a máfia siciliana teria investido, ao longo dos anos 2000, mais de R$ 800 milhões no mercado imobiliário do Rio Grande do Norte, usando o setor como ferramenta para lavagem de dinheiro.
Uma das razões que teria atraído os criminosos para o estado é a localização estratégica do RN, considerado um dos pontos do Brasil mais próximos da Europa, o que facilita deslocamentos e operações internacionais.
Operação aponta investimentos em Natal e na Paraíba
Além dos supostos investimentos no Rio Grande do Norte, o inquérito também identificou movimentações em outros estados do Nordeste. Entre os empreendimentos atribuídos ao grupo criminoso estão:
- construção de uma casa dentro de um resort em Bananeiras, no interior da Paraíba;
- compra de dois apartamentos em Cabedelo, município vizinho a João Pessoa;
- e até a aquisição de uma pizzaria em Natal.
Os imóveis e negócios seriam parte da estratégia de inserção do dinheiro ilícito no mercado formal, utilizando empreendimentos legítimos como fachada.
Justiça italiana quer julgamento e extradição
A situação de Giuseppe Bruno não se limita ao Brasil. A Justiça italiana quer que ele seja julgado no país de origem e, caso condenado, extraditado para cumprir pena na Itália. Lá, ele também responde por outros crimes, segundo apontam as autoridades.
Giuseppe deverá ser ouvido pela Justiça italiana no dia 27 de fevereiro, data considerada decisiva para o avanço do processo internacional.

