Sigilo do TRE-RN afasta população de Natal do acesso às denúncias contra Paulinho Freire e aliados

Segue sob sigilo de justiça o processo em que o GAECO pede a cassação do prefeito Paulinho Freire e da vice-prefeita Joana Guerra, além da declaração de inelegibilidade de ambos, do ex-prefeito Álvaro Dias e de dois vereadores. O argumento formal do sigilo, proteção da intimidade, não se sustenta diante do conteúdo descrito nos autos. Não há vida privada a resguardar quando o que está em apuração, conforme a denúncia do GAECO, são práticas que atingem diretamente a legalidade do processo eleitoral, como compra de votos, assédio a eleitores e uso da máquina pública. Intimidade não é escudo nem se relaciona com ilícitos eleitorais.

Segundo a denúncia, há registros de encontros organizados pelo próprio prefeito, com material apreendido na sede do antigo Partido Republicano, detalhando a utilização recorrente da estrutura pública para fins eleitorais. O ex-prefeito Álvaro Dias, ainda de acordo com os autos, aparece diretamente em ações de pressão e assédio. O sigilo, nesse contexto, não protege pessoas comuns de exposições indevidas; ele impede que a sociedade natalense conheça a extensão e a gravidade dos fatos investigados. Ao vedar o acesso público às informações, a Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte produz um efeito concreto, blinda politicamente os denunciados e enfraquece o controle social, justamente quando estão em jogo a lisura do pleito e a confiança no sistema democrático.

A contradição é evidente. Em 2024, a Justiça Eleitoral deu ampla transparência a processos eleitorais pelo estado, inclusive em casos sensíveis envolvendo municípios pequenos e médios. Em Natal, porém, adota-se o silêncio institucional. Pode não ser a intenção, mas a consequência prática é inequívoca. O sigilo opera como proteção aos poderosos. Em democracia, o que importa não é a retórica do procedimento, mas o impacto real das decisões. E o impacto, hoje, é a ocultação de denúncias graves que dizem respeito a toda a cidade.

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