Seletividade em Natal expõe critério político em críticas a cachês artísticos

A reação da extrema direita de Natal ao pagamento de R$ 90 mil pelo Governo do Rio Grande do Norte para o show de Chico César, durante a reabertura do Forte dos Reis Magos, evidenciou uma crítica marcada pela conveniência política. O valor foi classificado como exagerado, mesmo em pleno período natalino tradicionalmente mais caro para contratações artísticas e apesar de se tratar de um compositor de referência nacional, com trajetória reconhecida no Brasil e no exterior.

O debate desconsiderou critérios técnicos, simbólicos e culturais do evento e assumiu contornos claramente ideológicos, deslocando a discussão do campo da política cultural para o da disputa política.

O contraste fica ainda mais evidente quando a mesma corrente passa a defender os cachês pagos no evento Natal em Natal, organizado pela Prefeitura do Natal. Nessa programação, foram contratados Durval Lelys, por R$ 800 mil, e o grupo Sorriso Maroto, por R$ 700 mil, valores significativamente superiores ao alvo das críticas direcionadas ao governo estadual.

Nesses casos, o custo elevado deixa de ser questionado. A comparação expõe que o critério adotado não é o valor do show, o momento do ano ou a relevância artística, mas sim quem realiza a contratação. Quando o governo estadual está envolvido, o gasto vira polêmica; quando a prefeitura aliada promove o evento, o silêncio prevalece.

O episódio revela como a cultura vem sendo utilizada menos como política pública e mais como instrumento de embate político, esvaziando o debate sobre investimento cultural e seu impacto social.

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