Confira os 10 artistas que mais receberam cachês pagos por prefeituras do RN

O mercado de shows financiados por prefeituras no Rio Grande do Norte movimentou cifras astronômicas em 2025, ultrapassando a marca de R$ 192 milhões em contratos pagos com recursos públicos. Os dados revelam não apenas o alto volume de dinheiro envolvido, mas também um padrão claro de concentração de valores em poucos artistas e em poucos municípios do estado.

A apuração é fruto do trabalho do jornalista Bruno Barreto, com base em dados consolidados do Painel Festejos, ferramenta do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte TCE RN, que reúne informações oficiais sobre contratações artísticas realizadas pelas prefeituras.

No topo do ranking aparece a Banda Grafith, que arrecadou cerca de R$ 5 milhões em mais de 50 apresentações ao longo do ano. Em seguida estão Wesley Safadão, com aproximadamente R$ 3,1 milhões, e Luan Santana, que somou R$ 2,5 milhões em contratos firmados no estado. O levantamento considera o valor acumulado dos contratos ao longo de 2025, e não apenas o cachê de um único show.

Dois perfis de vencedores

A análise dos números aponta dois perfis distintos de artistas que dominam o mercado de shows públicos no RN. De um lado, grandes estrelas nacionais, que concentram faturamentos elevados em poucas apresentações, com cachês unitários que ultrapassam R$ 1 milhão. De outro, artistas regionais consolidados, como a Banda Grafith, que constroem sua arrecadação por meio da presença constante em praticamente todas as regiões do estado, participando de carnavais, festas juninas, emancipações políticas e eventos de padroeiros.

Enquanto Wesley Safadão precisou de apenas três shows em Mossoró, Pau dos Ferros e Natal para ultrapassar a marca dos R$ 3 milhões, o Grafith apostou na capilaridade, garantindo presença em dezenas de municípios ao longo do ano. A estratégia fez da banda potiguar a líder absoluta em faturamento acumulado em 2025.

Top 10 do faturamento acumulado

Além dos três primeiros colocados, o ranking inclui Nattan Natanzinho, Projeto À Vontade com Zezo, Luan Estilizado e Raí, Simone Mendes, Xand Avião, Léo Santana, Henry Freitas e Calcinha Preta. Juntos, esses dez artistas concentraram uma parcela significativa dos recursos destinados a eventos culturais no estado.

Artistas como Nattan e Henry Freitas se destacaram pela forte presença em polos juninos e pelo apelo junto ao público jovem, o que contribuiu para a valorização dos cachês em relação aos anos anteriores.

PosiçãoArtista / AtraçãoFaturamento estimadoObservação
Banda GrafithR$ 5,0 milhõesMais de 50 shows ao longo do ano
Wesley SafadãoR$ 3,1 milhõesApenas 3 apresentações
Luan SantanaR$ 2,5 milhõesShows em Natal, Mossoró e Assú
Nattan (Natanzinho)R$ 2,3 milhõesForte presença em polos juninos
Projeto À VontadeR$ 1,8 milhãoZezo, Luan Estilizado e Raí
Simone MendesR$ 1,6 milhãoCachês concentrados em poucos shows
Xand AviãoR$ 1,4 milhãoPresença em grandes eventos
Léo SantanaR$ 1,2 milhãoShows em Natal e Mossoró
Henry FreitasR$ 1,1 milhãoUma das maiores altas do ano
10ºCalcinha PretaR$ 1,0 milhãoCircuito de festas no interior

Concentração em poucos municípios

Outro dado que chama atenção é a concentração geográfica dos gastos. Quase 60 por cento de todo o valor pago aos dez artistas mais bem remunerados saiu dos cofres de apenas três municípios Mossoró, Natal e Assú. A concentração acende um alerta nos órgãos de controle, sobretudo diante da proximidade do ano eleitoral de 2026.

Segundo o TCE RN, enquanto grandes atrações nacionais absorvem a maior parte do orçamento destinado a eventos, artistas locais de menor porte, como grupos de cultura popular, trios de forró, quadrilhas juninas e bandas independentes, recebem menos de 10 por cento da verba cultural. O desequilíbrio levanta questionamentos sobre as prioridades das políticas públicas culturais adotadas pelas gestões municipais.

Impacto nos cofres públicos e questionamentos

O gasto médio estadual por atração em 2025 foi de aproximadamente R$ 81 mil. Quando se observa apenas os artistas do Top 10, a média ultrapassa R$ 500 mil por contrato, evidenciando a disparidade entre grandes nomes e artistas locais.

Gestores municipais defendem os investimentos afirmando que os grandes shows impulsionam o turismo, aquecem a economia local e geram retorno para hotelaria, bares e restaurantes. Por outro lado, o Ministério Público e os tribunais de contas acompanham de perto esses gastos, especialmente em cidades que enfrentaram dificuldades financeiras ou decretaram estado de emergência ao longo do ano.

Caso Durval Lelys gera debate

Um exemplo que gerou questionamentos fora do Top 10 envolve o cantor Durval Lelys. Para se apresentar no Réveillon de Natal, ele recebeu R$ 800 mil dos cofres públicos municipais. No Réveillon de Salvador, um dos eventos mais tradicionais do país, o cachê pago ao mesmo artista foi de R$ 350 mil, menos da metade do valor desembolsado pela capital potiguar.

A diferença levanta dúvidas sobre os critérios de negociação de cachês e reforça o debate sobre transparência, razoabilidade e interesse público na contratação de grandes atrações com dinheiro público.

Os números de 2025 expõem um cenário de forte concentração de recursos, que deve seguir no centro das discussões sobre cultura, gestão pública e fiscalização, especialmente com a aproximação do calendário eleitoral de 2026.

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