Cachês milionários marcam programação do Natal em Natal; Artistas locais cobram pagamentos atrasados desde 2023

A Prefeitura do Natal promove o Natal em Natal 2025 entre os dias 25 e 31 de dezembro, com a maior parte da programação concentrada na praia de Ponta Negra. No último dia do ano, os shows também ocorrem na Avenida da Alegria, no bairro da Redinha.

De acordo com a programação oficial do evento, das 33 atrações anunciadas, foi possível identificar os cachês de 22 artistas por meio de publicações no Diário Oficial do Município (DOM) até esta sexta-feira (26). Os valores pagos chamam atenção pela disparidade e pelos altos montantes destinados a artistas de renome nacional.

O maior cachê identificado foi de R$ 800 mil, pago ao cantor Durval Lélys, ex-vocalista da banda Asa de Águia. Outros valores expressivos incluem Sorriso Maroto (R$ 700 mil), Léo Santana (R$ 600 mil), Zé Vaqueiro (R$ 500 mil), além de Zezo e Dilsinho, ambos com cachês de R$ 400 mil.

Especialistas e gestores do setor cultural costumam destacar que o investimento em cultura gera impacto positivo na economia, com estimativa de retorno de cerca de R$ 7 para cada R$ 1 aplicado, considerando movimentação do turismo, comércio e serviços. Ainda assim, a política de contratações para grandes eventos tem sido alvo de críticas diante de pendências financeiras acumuladas junto a artistas e produtores locais.

Na noite da última terça-feira (23), entre 19h e 21h, artistas e trabalhadores da cultura realizaram um protesto no entorno da Árvore do Mirassol, em Natal. A manifestação denunciou atrasos no pagamento de cachês por parte da Prefeitura do Natal e da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte).

Segundo levantamento do próprio setor cultural, os débitos acumulados referentes aos anos de 2023 e 2024 somam aproximadamente R$ 27 milhões. Os manifestantes cobram a regularização dos pagamentos e maior prioridade para os artistas locais, especialmente diante dos valores elevados destinados às atrações nacionais.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura do Natal e a Funcarte não haviam se pronunciado oficialmente sobre os atrasos apontados pelos trabalhadores da cultura.

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